09/02/2018

Meu filho é autista


"Meu filho nasceu sem complicações no parto e depois de uma gravidez tranquila, apesar do pai dele não querer assumir minha gravidez. Sempre tive o apoio dos meus pais que, mesmo separados, sempre foram presentes na minha vida.
Desde os seis meses comecei a notar que meu filho não tinha o mesmo desenvolvimento que os outros bebês da idade dele. 
Todo mundo me dizia que meninos são mais lentos mesmo, e que meninas costumam engatinhar mais rápido e etc. Quando ele tinha um ano resolvi levar a um profissional indicado pela pediatra, pois ele ainda não engatinhava. Enquanto a maioria das crianças já começava a andar, ele só ficava sentado ou deitado. 
A terapeuta ocupacional disse que, como ele era muito pequeno, não podia afirmar o diagnóstico de autismo, mas iniciamos um tratamento para estimulá-lo a andar. Com essa ajuda, meu filho andou quando completou dois anos.
Foi nessa fase que foi possível realizar alguns exames neurológicos para descartar problemas dessa natureza. Após algumas consultas, veio o diagnóstico: meu filho é autista.
Mil coisas se passaram na minha cabeça e meu coração já imaginou cenas de bullying, a reação da família, os tratamentos... Chorei muito naquela noite, mas compreendi que eu teria que ser forte por nós dois, para ajudá-lo, protegê-lo do preconceito e, acima de tudo, para poder oferecer a melhor educação possível. 
Meus pais aceitaram a situação melhor do que eu esperava e pude contar com o apoio deles para que eu pudesse trabalhar fora enquanto tentava encontrar uma escola. Infelizmente, foram longos dias procurando sem sucesso. Apesar da inclusão ser lei, as escolas inventam desculpas para não aceitar crianças especiais.
Meu filho tem 4 anos e ainda não encontrei escola para ele. Ele frequenta um grupo de terapia ocupacional que tem ajudado muito em seu desenvolvimento. A fala é a parte mais comprometida. Ele "fala" com gestos e fica nervoso quando não entendemos.
Passear com ele exige muita paciência, pois quase sempre ele fica muito agitado e as pessoas ao redor olham diferente para nós. 
A cada dia tenho que aprender um jeito novo para convivermos melhor. Não fica fácil com o passar o tempo. Eu é que vou aprendendo mais rápido e melhor a lidar com nossas dificuldades.
Sempre digo que é difícil para ele e para todos nós da família, mas nós temos condições de entender, ele não.
Amo meu filho e não saberia viver sem ele. Ele me ensina um ritmo diferente, um olhar diferente sobre as coisas, uma vida com menos padrões. 
Não vou dizer que é fácil. Mas é lindo."
Ana Lúcia Paiva, 28 anos, mãe do Otávio.


15/09/2017

Quando o erro acontece na maternidade

"Depois de dois anos, eu ainda não superei totalmente, mas vamos lá!

A minha primeira gravidez foi há 11 anos.

A Ariel nasceu no Brasil, com toda a pompa e circunstância possível!

Fiz cesárea porque tive pré-eclâmpsia. 

Meu irmão (que é cardiopediatra) estava na sala de parto desde o momento que eu entrei. Estava ao meu lado e me acalmando na hora da anestesia e tudo mais. Pegou a Ariel das mãos do obstetra! Meu marido também estava na sala de parto e não saiu do meu lado por nada! 

Foi tudo perfeito e ótimo! 

Depois de 9 anos, ficamos grávidos novamente. Dessa vez nos EUA. 

14/07/2017

Minha vida sem Cecília


"Minha vida diária de mãe durou 1 ano e 13 dias. Do dia que me descobri grávida, 22 de novembro de 2015, até o dia que a Cecília morreu, 5 de dezembro de 2016. Os meses mais intensos e de maior emoção da minha vida.

Nenhuma palavra é possível para descrever a alegria e o amor que senti ao pegá-la no colo após 8h30 de trabalho de parto e 42 semanas e 1 dia de espera. Nenhuma palavra é capaz de descrever a emoção que senti, debulhada em lágrimas de alegria e alívio, quando finalmente chegamos em casa em 27 de agosto, depois de 17 dias de hospital e UTI. Nenhuma palavra é capaz de descrever o que senti ao vê-la desfalecida em meus braços ao chegarmos em casa de carro depois de mais um exame, até então eu achando que ela apenas havia dormido uns minutos no peito enquanto mamava, para em seguida ter a certeza de que a havia sufocado ou engasgado. Nenhuma palavra é capaz de descrever o que senti ao ver seus olhos pararem de brilhar na ambulância, e ter a certeza de que ela tinha morrido. Nenhuma palavra é capaz de descrever o que senti ao ver a expressão da médica vindo em minha direção no hospital depois de tentarem revivê-la por uns 40 minutos, enquanto eu aguardava no saguão de entrada sozinha, sem bateria no celular, meu marido e meus pais presos no trânsito das 18h30.

19/04/2017

A história de Fabiana

Conheci a Fabiana no Aeroporto de Congonhas, voltando de um voo do Rio de Janeiro. Fabiana é taxista. Sobre o painel do carro, uma chupeta pink. Minha filha, de 2 anos e 8 meses, cochichou ao meu ouvido: "mãe, por que ela tem uma chupeta?" Eu respondi: "não sei, filha, pergunta pra ela". E ela, bem baixinho, "moça, por que você tem uma chupeta?" A Fabiana não ouviu e eu repeti a pergunta, com medo de uma resposta trágica, com medo que fosse uma recordação dolorosa, enfim...

Ela sorriu e respondeu: "tenho três filhos homens e eu comprei essa chupeta pink de amuleto". E eu, curiosa, continuei: "três? Você é tão jovem!"

"Sim, comecei cedo! Ao contrário da minha mãe que foi mãe aos 39, eu fui mãe aos 16. Meu filho mais velho vai fazer 18 anos, tenho um de 14 e o mais novo tem 5."

"Nossa, imagino que vc esteja experimentando uma maternidade completamente diferente agora, não?"

24/03/2017

A maternidade me salvou da minha infância infeliz

"Não tenho muitas recordações da minha infância, mas sempre tive a lembrança de que não fora fácil, nem feliz. Filha de pais separados, com 3 irmãos pequenos, passava os dias com uma empregada, pois minha mãe trabalhava o dia inteiro e chegava cansada toda noite.

Sempre achei minha mãe uma heroína... até que me tornei mãe e percebi quão ausente ela foi na minha vida. Não desconsidero a necessidade de trabalhar, meu pai era irresponsável totalmente e se ela não trabalhasse tanto não teríamos nada para comer e vestir.

Entretanto, hoje questiono suas prioridades aos finais de semana, que nunca nos incluía como convivência, brincar junto, dar risada, se divertir. Meus irmãos e eu tínhamos que nos virar para encontrar o que fazer e nunca podia ser com ela, pois estava cansada ou saía "para espairecer merecidamente"! Claro que precisava, penso eu, sim precisava! Toda mãe precisa! Mas, poxa, suas horas livres nunca eram conosco e quando estávamos juntos me lembro quão estressantes eram aqueles momentos, havia um ressentimento, um rancor... Ela estava sempre reclamando. Hoje, racionalmente, eu entendo que devia ser difícil... mas na época eu era criança e não entendia!

02/02/2017

De triatleta a obesa

"Meu nome é Sofia, sou mãe do Joaquim de 4 anos, meu maior  presente da vida. O pai dele e eu nos casamos quando tínhamos, os dois, 26 anos, nos conhecemos na escola e namoramos por 10 anos antes de casar. Ele  é minha alma gêmea! Sempre viajamos muito e adorávamos frequentar academia juntos.  Juntos competíamos triathlon. Alimentação regrada, muita água, salada, açaí! 

Tentei engravidar por 4 anos. Não entendia porque uma pessoa tão saudável como eu não conseguia engravidar. Meu marido também era muito saudável. Fizemos exames, nada apareceu de errado. Todo mundo dizia que era psicológico, tinha gente que falava que eu malhava muito e por isso não engravidava. Parei de treinar, pois acreditei que esse poderia ser o motivo. Coincidência ou não, engravidei depois de 8 meses! Que alegria! Me lembro da reação de todos na família quando souberam! Agora era só me cuidar direitinho para dar tudo certo!

Engordei 25 quilos durante a gestação. Me sentia horrível, cansada, inchada, com a autoestima no chão. Fiquei deprimida, desenvolvi síndrome do pânico, não conseguia dormir à noite. Meu marido ficou muito abalado com meu estado de ânimo, pois passava as noites em claro comigo e tinha
que trabalhar no dia seguinte. Foram dias difíceis. 

26/01/2017

Nasci para adotar

"Minha mãe conta que desde pequena eu via crianças menores e dizia “vamos levar pra casa, mamãe?” e ela respondia “esse bebê não é nosso, Adriana, olha a mãe dele”, eu insistia “vamos pedir pra ela!”

Quando comecei a namorar “sério” perguntei ao meu namorado se ele fazia questão de ser pai biológico, pois eu queria adotar e se ele não concordasse era melhor terminar tudo ali mesmo. Ele respondeu que ficaria comigo para o que eu quisesse e depois de 2 anos nos casamos. Entramos na
fila de adoção. Não impusemos nenhum tipo de restrição, seria nossa a criança que aparecesse!

 Mesmo assim, foram 3 anos de espera. Eu não aguentava mais ver o meu número na fila que não andava. Até que um dia me ligou uma assistente social. Havia um menino de 1 ano. Cheguei antes do meu marido e de cara me apaixonei pelo Miguel!

Quando meu marido chegou fomos informados de que ele tinha um irmão de 3 anos e que não era possível separar os dois. Não tivemos dúvida: queríamos os dois! Muita burocracia depois, idas e vindas, e finalmente estávamos com nossa família em casa.

20/01/2017

Minha decisão de ser mãe foi só minha


"Minha história começa quando tomei a decisão de ser mãe.  Sempre tive muita afinidade com crianças, mas a minha vontade de ser mãe surgiu por volta dos 25 anos, quando eu já tinha certeza de que eu queria ser mãe.

Eu tinha uma parceira e começamos a conversar sobre como faríamos para ter filhos. Assim surgiu a ideia de fazer uma fertilização in vitro. Nessa época, com 25 anos, comecei a pesquisar sobre isso, também comecei a quebrar alguns mitos dentro de mim, dentro do que eu achava certo e errado, comecei a ver preço e entender melhor todo esse processo. Muita coisa aconteceu e esse meu "projeto" foi adiado. Somente agora, aos 32 anos de idade, é que de fato decidi realizá-lo, pois tenho uma situação estável financeiramente e na família. Tenho um relacionamento de cinco anos, mas a decisão de ser mãe foi única e exclusivamente minha, não foi uma decisão da minha parceira, nem com a participação dela. Então, independente do que ela decidisse, eu já estava com isso definido, eu queria ser mãe, sim. Fui buscar os melhores médicos, as melhores clínicas, fui me informando sobre todo o procedimento da FIV. Como eu sou da área da saúde, tive bastante facilidade em ter essas informações e acabei escolhendo uma clínica por indicação de uma amiga.

12/01/2017

Julgadores de plantão


"Confesso que sempre reparei na reação de algumas mães por aí. Pensava: “Quando eu tiver meu filho vai ser diferente: ele não fará birras, ele vai se comportar bem porque eu vou saber educá-lo para isso.
Porém, quando meu filho nasceu tudo foi diferente. Passei de juíza a réu. Ser mãe parece uma tarefa muito fácil para quem não está dentro da situação. Nem sempre a reação de uma mãe agrada a todos e, mesmo sem saber o real motivo daquela situação, as pessoas tendem a tirar conclusões precipitadas ou intrometer-se onde não convém. Certa vez meu filho teve um episódio de constipação intestinal e fomos ao hospital. Por esperar muito tempo em jejum para realização de um exame, meu filho começou a pedir comida.

- Mãe, me dá pastel? Mãe, me dá chocolate?

A enfermeira me questionou se ele só comia isso, pois não podia, afinal aquele problema que estávamos enfrentando no momento era de má alimentação. Respondi que não, que ele comia outras coisas sim, que aquele episódio foi algo isolado e que ele pede coisas gostosas por ser criança, ele ainda não sabe o que é ou não saudável, ele tem apenas 2 anos de idade.


28/12/2016

Trabalhar como uma “pessoa normal”



"Quando meu filho nasceu eu tinha 22 anos, era solteira e estava terminando a faculdade de Direito. Minha vida era bem tranquila, morava com meus pais e não trabalhava. O Antônio não foi “encomendado”, o pai dele e eu não tínhamos intenção nenhuma de casar, e, então, decidimos que depois que ele nascesse cada um continuaria vivendo em suas próprias casas.


Minha mãe ficou do meu lado. Meu pai e irmão fizeram muitas críticas, mas depois foram se acostumando com a ideia. Consegui concluir a faculdade e estava decidida e trabalhar depois que o Antônio completasse 6 meses.

Doce ilusão! Comecei a procurar trabalho/estágio somente quando meu filho completou 1 ano, pois era muito difícil imaginar deixá-lo aos cuidados de outras pessoas (mesmo que fosse minha mãe e babá). Foi muito sofrido ter que me separar dele para buscar emprego, mas eu queria construir um futuro para nós dois com meu próprio esforço.